Tá que essa história de blog nunca teve muito a ver comigo. Mas, desde que vim pra cá, eu precisava experimentar uma coisa nova... Contraditório, eu sei. Afinal, desde que saí de casa tudo é novo!
Pois bem, caí de para-quedas (de metrô) num lugar onde as pessoas são barulhentas, a cidade é grande, os motoboys dominam e meus vizinhos têm mais de 70 anos. BEM-VINDO A FACULDADE, BIXO!
Você deve estar pensando: "Nossa, ela mora do lado de um asilo e faz gerontologia" (seja lá o que for isso). Não, não moro e não, não faço. A questão é, desde que vim morar nesse apartamento, na nossa amada república Morada dos Duendes, só tenho cumprimentado pessoas no elevador com cabelos que parecem nuvens de algodão-doce, umas FOFURAS! E sim, meus vizinhos.
Estranho esse ar de faculdade, não? Pelo menos é bem diferente do que todos que habitaram um clima tenso de cursinho imaginam. Quero dizer, depois de você passar uma eternidade (uma semana no cursinho é uma eternidade) tendo aulas chatíssimas sobre algo que você nunca mais vai ver na vida (PRA QUE RAIOS EXISTE DERIVADA? POR QUE PINDAROLAS EU VOU QUERER SABER O VOLUME DE UM CONE, MEU DEUS?) você faz uma ideia um pouco mais agradável da faculdade, aquilo que te espera logo após tanto sacrifício... Na verdade, você faz a ideia da porta da esperança do Sílvio Santos se abrindo para um mundo de alegrias, sem física, matemática ou qualquer coisa relacionada a números, onde tudo é festa à la American Pie 5 e... o meu dia é atender velhinhos com dores nas costas e pés inchados.
Tá, eles são fofos. Mas não são exatamente o tipo de vizinhos que eu esperava ter... Moro num edifício com exatos 14 apartamentos e 13 deles são habitados por seres de grau máximo de fofura. Sabe que eu gostei? Eu imaginava que morar numa república haveria, consequentemente, mais repúblicas por perto (levando em consideração que chegar até a minha faculdade é necessário passar um, dois bares e chegou. É muito perto!).
Foi achando que o meu humilde apartamento ser a única república no vale da senescência um fato muito curioso, resolvi averiguar e descobri que no bairro onde moro "é proibido formação de repúblicas masculinas devido a vários casos de negligência (festa do fumo, incendiar o prédio, dançar rumba pelado, entre outros...) registrados na região." Explicação muito plausível ao meu ver.
O fato é que eu moro na rua da faculdade com exatos dois bares que nos separa. Ao todo, são seis bares na rua que costumam ter mais alunos do que nas salas de aula da faculdade. Outro dia, perambulando pelos arredores, deparei-me com uma placa escrito "LIVRARIA". Eu, como boa TARADA que sou por livrarias (adoro comprar livros, mas quase nunca leio todos. Acho bonito deixar na estante e acharem que eu sou, pelo menos, pseudointelectual), resolvi entrar. Aparentava ser um local minúsculo, de pouco conteúdo pode-se assim dizer. Mas foi abrir a pequena porta de ferro e escutar aquele tilintar muito familiar (que mais parece o tio do picolé) do sino que anuncia a entrada de alguém para o meu queixo cair. Manja o guarda-roupa de Nárnia? Pois é. Ao adentrar no local, foi exatamente essa a sensação que eu tive. Um mundo paralelo estava ali, diante de mim, como se nada que tivesse ficado para trás da porta importasse. Um enorme salão, com pé direito alto, estantes colossais, decoração de...mofo. Mas tinha seu estilo, Bach tocava como se estivesse recebendo o rei Carlos XII e sua corte (mas era euzinha, apenas!) e lá eu fiquei, por um tempo considerável folheando o "1001 LIVROS PARA LER ANTES DE MORRER".
Enfim, para uma pessoa interiorana, como eu, até que me adaptei bem as buzinas e carros tirando racha embaixo da janela do meu quarto. A parte definitivamente ruim de estar fora da sua cidade é:
a) Família longe
b) Namorado mais longe ainda!!!
c) Namorado morando em Porto Alegre!!!
d) Amigos longe
e) E, com certeza, lavar a louça
Pois é, estranhos. Veremos quantos serão os dias de superação (ou não).
Da sorocabana que vos fala,
Bruna