sábado, 30 de abril de 2011

Saudade


"Saudade é solidão acompanhada, 
é quando o amor ainda não foi embora, 
mas o amado já... 

Saudade é amar um passado que ainda não passou, 
é recusar um presente que nos machuca, 
é não ver o futuro que nos convida...

Saudade é sentir que existe o que não existe mais... 

Saudade é o inferno dos que perderam, 
é a dor dos que ficaram para trás, 
é o gosto de morte na boca dos que continuam... 

Só uma pessoa no mundo deseja sentir saudade: 
aquela que nunca amou. 

E esse é o maior dos sofrimentos: 
não ter por quem sentir saudades, 
passar pela vida e não viver. 

O maior dos sofrimentos é nunca ter sofrido."
  Pablo Neruda

Saudade do mais incrível presente que poderia ter e o mais exuberante futuro que posso imaginar, já dizia o poeta. Meu poeta.

terça-feira, 26 de abril de 2011

E eu vos declaro sensacionalistas!

Ok ok, eu sei que eu sumi. Mas esses trabalhos me deixam louca! E no feriado de Páscoa foi tempo de aproveitar o namoradão, sacumé né?

E em tempos de massacre na Líbia, tempestade no sul, tornado nos EUA, de bebê abandonado em caçamba e crise no Reino Unido qual é o assunto mais BA-DA-LA-DO do momento?
O casamento do almofadinha inglês e a camponesa sortuda! 
A família "Real" satânica britânica terá mais uma integrante da realeza nessa sexta-feira, dia 29. O príncipe William casará com a bela Kate, futura Diana (DIVA).
Agora, me respondam, queridos, qual a chance de uma fulaninha zé ninguém, que tinha o pôster (O PÔSTER!) do príncipe William de cavalo branco no quarto em sua tenra juventude de adolescente frustrada e gordinha, se CASAR com o cara do poster?

É, galera. Contos de fadas existem!

E é nesse embalo de mundo cor-de-rosa e sem pobreza que o casamento mais caro já registrado na história (mais de $30.000.000,00) será o alvo dos holofotes e tabloides do mundo inteiro nessa sexta-feira. É claro que você vai acordar às 5h da manhã para assistir a esse IM-PER-DÍ-VEL acontecimento, não é? Afinal, o Elton John foi convidado, os Beckham foram convidados, O MR. BEAN foi convidado, o Rei da SUAZILÂNDIA (?) foi convidado! Tem gente acampando na abadia, tem gente passando fome, tem gente comendo pizza com a cara dos dois. E os modelitos então? As gafes, meu Deus! Tudo o que a gente gosta com direito a transex distribuindo bençãos aos pombinhos! Acho que não vou aguentar...
E diante tudo isso, só nos resta dizer:


                                     
                        PEGAÉL HARRY! SEU LYMDO!





                                                               #TODASDESESPERA




Uma boa sexta-feira a todos, se possível.

(o duende deixa aqui sua indignação para com a mídia sensacionalista e sem qualidade que se preocupa com as flores comestíveis do bolo de casamento em vez de combater a crise da Inglaterra.)


sábado, 16 de abril de 2011

Bom dia, Brilho do Sol!

Bom dia, Brilho do Sol! 

AH, QUE DIA BONITO!A Anchieta com um tráfego quilométrico, o táxi saindo o dobro do preço, um calor de rachar cuca, um trabalho que não tem fim, mulher que desmaia no meu pé em plena baldeação na Sé, ônibus lotado.. mas nada tira meu bom humor de voltar pra casa. NA-DA!
Pode falar que na minha terra só tem cavalo (apesar de eu nunca ter visto algum muito menos andado em um), pode achar que não tem shopping, que eu falo poRRRtera, pode falar, pode falar... mas como eu AMO estar na terra do leiTe quenTe!
Pode chover, trovejar, alagar a avenida; nem que eu volte a nado, hoje eu tô feliz!
Eu sinceramente acredito que bom humor é algo afrodisíaco. Sabe aquelas crianças pentelhas que acordam às cinco para as seis da manhã, abrem a janela e gritam com um sorriso estampado na cara: BOM DIA, BRILHO DO SOL! :D Pois é, sempre fui assim.
Não por querer fingir que está tudo bem. Tampouco porque gosto de acordar cedo. 
Mas sempre tive a capacidade de enxergar coisas boas em pequenas coisas e agradeço muito por isso. Talvez porque eu lia muito Pollyana quando era pequena e gostava de jogar o "Jogo do Contente", que consiste em ficar contente por tudo que acontece na vida. Quando Pollyana recebeu um par de muletas da caixa de doação esperando que fosse uma boneca, ficou muito feliz por não precisar delas. Acho que isso influenciou para que eu conseguisse enxergar o lado bom das coisas nos piores momentos da vida... Livrar-se das pequenas coisas que te deixa frustrado, angustiado, é o primeiro passo. É necessário querer mudar o ponto de vista, aceitar as coisas como elas são e, se possível, rir delas e com elas. Precisamos agradecer a certas oportunidades que nos surgem, ficarmos felizes com bobagens, pular em mais poças de lama. Devemos enxergar o mundo com outros olhos. Manter o bom humor em momentos difíceis, se contentar com pouco.
E aí, vamos brincar do "Jogo do Contente"?










*Parabéns pelo aniversário do papai! Coisinha rica!
*Ao som de I got my mind set on you :D

terça-feira, 12 de abril de 2011

Freedom is not Free

Sempre gostei de domingo. Sempre mesmo. 
Para mim, domingo sempre foi dia de comida gostosa em casa ou de almoçar em algum lugar bacana com a família, domingo é dia de ler o Caderno de Domingo, dia de macarronada, arroz com frango. Domingo nunca foi dia de ir à missa, para mim. Domingo é dia de Sílvio Santos 24H na televisão! Dia de Faustão, de Fantástico (e que atire a primeira pedra quem não assiste a programação de domingo). E apesar de domingo ser uma referência para mim como o último-dia-que-você-tem-para-estudar-para-a-prova-ferrada-de-segunda-feira (que no meu caso era sempre o último minuto mesmo), Adoro o Domingo!
Acontece que, de uns tempos pra cá, eu passei a não gostar tanto assim do domingo...
Não tem mais comida gostosa, não posso acordar tarde, não posso ficar em casa... Nem o Sílvio Santos eu vejo mais... Tudo isso porque é hora de ir para a minha segunda casa.
Ah, é bacana...
Tá, na verdade não é.
Depois de duas horas e meia de ônibus (se não estiver chovendo, é claro), passando mal (eu passo mal em ônibus. Nessa última viagem eu até... bom, deixa para lá), carregando uma mala gigante, pegando outro ônibus, eu desço na minha rua. Deserta.
Aquele "téctetécteréctéc" das rodinhas da minha mala (cafona, eu sei) na calçada é o único som que eu escuto durante 10 minutos, até eu chegar ao meu apartamento. Para mim, esse é o único som do meu domingo. 
Chego em casa. Silêncio. 
E o som do silêncio permanece até o dia seguinte.

Quando vejo a G. e a R., agradeço por me salvarem do meu domingo.
E aí começa o tricô do fim de semana. 
Muitas histórias depois, chegamos num papo sobre liberdade. Liberdade é fazer tudo aquilo que se tem vontade? Ou isso é irresponsabilidade?
Vejamos, eu tive liberdade de escolher o que eu queria para minha vida, mas não escolhi ter um domingo desses por 4 anos. O que fazer? Largar tudo e aproveitar meu domingo de antes? Teria liberdade para fazer isso? Teria. Mas não seria uma coisa lá muito responsável. 
Pensando nisso (não só nisso), acredito que liberdade é fazer sim o que se tem vontade. Porém, fazer com responsabilidade. Frase manjada? Total. Eu estou fazendo o que gosto de fazer = Liberdade + Passar um domingo que eu odeio = Responsabilidade. Tchans!
É claro que somos livres para fazermos escolhas nas nossas vidas. Que carreira seguir, que time de futebol torcer (às vezes a gente escolhe, vai), se gostamos mais de chocolate branco ou preto... Mas, às vezes, parece que somos prensados pela sociedade e temos que gostar daquilo que os outros acham legal, aquilo que todo mundo gosta, aquele cantor very cool (pros outros, né). Lembro que eu, na minha idiotice ingenuidade dos 10, 11 anos virei fã da Avril Lavigne. Por que? Sei lá. Todo mundo ouvia. E eu, querendo ser "prafrentex" também, falava que adorava, que era o máximo. Mentira! Nunca suportei aquela maionese-no-cabelo com voz de taquara rachada! Sabe do que eu gostava? Dos Beatles, da Britney Spears... Bacana, né?
O engraçado é que a gente cresce e a coisa não muda muito. Quer dizer, óbvio que muda (EU NÃO GOSTO DE AVRIL LAVIGNE! AINDA GOSTO DE BEATLES!), mas em relação a ser livre de fazer o que se gosta, muitas pessoas ainda não seguem isso. Vergonha dos outros? Isso pra mim é irresponsabilidade, de certa forma. 
Acho que a maioria das pessoas anseiam por liberdade. Liberdade no trabalho, liberdade de expressão, liberdade no relacionamento, liberdade dos pais, liberdade financeira... Acho que todas essas liberdades podem muito bem ser conquistadas. A verdade é que todos somos livres. O fato é que devemos usar a fórmula da liberdade. Sem exageros, sem ser excêntricos.
E você? Gosta mais de chocolate branco ou chocolate preto? :)





"Ser livre é não ser escravo das culpas do passado nem das preocupações do amanhã. Ser livre é ter tempo para as coisas que se ama. É abraçar, se entregar, sonhar, recomeçar tudo de novo. É desenvolver a arte de pensar e proteger a emoção. Mas acima de tudo, Ser livre é ter um caso de amor com a própria existência. E desvendar seus mistérios". Augusto Cury

domingo, 10 de abril de 2011

workworkworkwork

Oi, pessoas!

Hoje eu estou realmente ocupada começando terminando uma monografia de 400 páginas. Aquela que eu teria que encher linguiça refazer, sabe? Então, fiquem com um lipdub legal da concorrente Esamc de Sorocaba. Tchau, pessoas!



0bs.: Só tô postando aqui pra puxar a sardinha pra minha cidade. Além de ter alguns amiguinhos no vídeo.

sábado, 9 de abril de 2011

Amigos, amigo

Como é triste voltar.
Não que eu não goste da minha Morada dos Duendes. Mas nada se compara ao aconchego do próprio lar, a comida da mamãe, ao travesseiro de florzinhas... até a pasta de dente aqui de casa é mais gostosa.
Não tem jeito, é hora de voltar. (E encarar a monografia de 427 páginas para fazer até segunda-feira).

Nada como rever os amigos, também. É tão bom você ir embora e voltar sabendo que tudo está exatamente do jeitinho que você deixou. A mesma turma, a mesma alegria, o mesmo abraço. Às vezes, pensamos que essa história de amizade é passageira, que é apenas fase e que logo encontraremos outros amigos. Não acho que seja assim. É claro que estou disposta a fazer muitos amigos nessa vida ainda, mas os meus amigos... Ah, são os MEUS amigos. Se eu pudesse rotulá-los, saberia a palavra certa para designar cada um deles. Amiga irmã, amiga de fralda, amiga preguiça, amiga neurótica, amiga conselheira, amiga sabe-tudo, amiga vítima, amiga quieta, amiga estranha, amiga sorridente, amigo palhaço, amigo idiota... Passe o tempo que passar, talvez algum vá para outro caminho, mas sempre serão meus amigos. Há quem seja também meu melhor amigo; aquele que eu me importo com a sua felicidade, com seu bem-estar, com a sua vida. Que está sempre lá para me apoiar, para me dizer sim, para dizer não ou até mesmo "já chega, Bruna". Que briga bastante comigo também, que desenha gotinhas no meu caderno, que me liga todos os dias, que ri de mim e ri comigo e ri dos outros, ainda. Lembrar aquela risada gostosa do seu amigo e querer ele sempre perto de você. Se encantar com tudo o que ele diz, enxergar a luz no fim do túnel apenas com ele te auxiliando e desejando isso mais do que você próprio. Tudo que parecia simples já não tem mais sentido algum se ele não estiver junto.
Afinal, você ama o seu amigo.
Amigo?








Dodô, parabéns pelo aniversário e o seu bolo tava uma delícia! Obrigada pelo dia, gurias :)

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Apenas um minuto

acontecimento na manhã de ontem (07/04/11) em Realengo, Rio de Janeiro, chocou o país. País que, apesar de estar acostumado a inúmeras tragédias humanas (infelizmente), não imagina que um massacre, como aqueles vistos nos EUA, possa ocorrer por aqui. A intolerância é maior ainda quando as vítimas são todas crianças. O que fazer para evitar um acontecimento desses? Não acho que o desarmamento ajude, uma vez que isso só fortaleça a concentração de armas nas mãos de bandidos. Segurança nas escolas? Já era pra ter isso a muito tempo. Infelizmente, é necessário um fato desses ocorrer para colocarmos a mão na consciência e entender que não existe coisa mais valiosa do que a própria vida. A notícia permanece na mídia durante alguns dias, depois é esquecida até outro esquizofrênico dar o seu show e começar tudo de novo. As mesmas dúvidas, as mesmas buscas por razões. A questão é que existe gente assim no mundo e ponto. Ponto? Não. Se existe pessoas assim, devemos estar preparados. Devemos ser observadores, desconfiados. Devemos duvidar dos nossos vizinhos. Devemos dizer SIM aos hospitais psiquiátricos. Devemos admitir SIM que doença mental existe e precisa de cuidados. Devemos banir o bullying nas escolas. Devemos ser mais educados, mais gentis, sorrir mais. Garotas, devemos saber dispensar os garotos; não "dar um fora", mas dizer "não" apenas. Se agirmos de forma irracional, tratando as pessoas a torto e a direito, podemos estar criando um monstro, sem querer. Parece que foi o caso do protagonista de hoje. Em questão de minuto, 12 crianças foram cruelmente assassinadas. E que culpa elas tinham? Nenhuma.


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O Duende deixa sua homenagem às vítimas dessa quinta-feira e se sensibiliza junto ao país.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Lady Murphy

Sabe o que é você fazer um trabalho em um grupo de onze pessoas (ONZE!!!) e, na hora da assessoria, o professor pegar o seu trabalho (que eram duas singelas e simpáticas folha sulfite Chamex) com dois dedos, como se estivesse arrancando uma alface molenga e bichada de um X-tudo? Foi o que aconteceu.

-Vocês realmente querem que eu leia ISSO?

-Ahnn... - um coro uníssono e babaca ecoou pela sala.

-Eu não vou ler.

-Lê aí, vai, professor! Ajuda a gente... - pedido de um integrante X.

-lendo-

-Isso tá um LIXO!

E o grupo todo sai da sala com suas orelhas tão fartas, o seu osso roído e o rabo entre as patas...
Logo, o meu dia não poderia ser diferente senão passar a tarde toda lendo um maldito livro de um tal de Surr/Spour/Srour/Issaí para tentar encher linguiça arrumar o trabalho. Felizmente, a biblioteca da faculdade é ótima para estudos/trabalho do Sur. Um lugar enooooorme, todo envidraçado, iluminado pela luz do sol e com um pedaço da Mata Atlântica bem no meio, formando uma clareira. Fiquei horas naquele lugar, pesquisando capítulo por capítulo o que o cidadão queria dizer com "implicações da revolução da qualidade". Da próxima vez, usarei Report do Senninha.

17:00hs - A aula de dança já havia começado e subi tropeçando as escadas com o meu xale de moedinhas douradas fazendo aquele barulhinho irritante, denunciando que alguém (eu) estava atrasada. Para o meu alívio, a música cafonérrima Selinho na Boca do Latino tocava na sala, na versão árabe e original lógico, avisando que estavam no alongamento ainda. Menos mal. Básico egípcio, oito pra frente, oito pra trás, redondo, passo egípcio, passo egípcio com tremido, DUM TAKATÁ DUM DUM TAKATÁ, e twist e tchátchátchá and I'M CRAZY BUT YOU LIKE IT UÓÓU e a LOCA LOCA LOCA da Shakira aqui CATAPLOFT no chão...

Sabe aquele dia que você não deveria ter levantado da cama? Melhor, não deveria nem ter dado aquela espiadinha pra fora do cobertor? Dia 06/04/11 foi esse dia.
Como diz nossa querida Lady Murphy e sua teoria do caos: "Se algo puder dar errado, dará errado." Hoje, tudo estava conspirando para isso... Mas aí, lembro de uma frase da nossa querida Emma Corrigan: "quando o cachorro morde e abelha pica, lembro que tenho um namorado maravilhoso e fica tudo bem!" (ou alguma coisa assim). E é mais ou menos por aí...
Porém, a coisa sempre pode piorar quando você menos espera.
Fica Dica.

Texto que deveria ter sido postado dia 06/04/11 e que não foi por motivos (dá para imaginar, né?) técnicos e pessoais.
A internet não funcionava e, por favor, quando quiserem ir dormir para evitar uma última guerra mundial, vão. 
Fica Dica [2]

terça-feira, 5 de abril de 2011

Olá, estranho!

Tá que essa história de blog nunca teve muito a ver comigo. Mas, desde que vim pra cá, eu precisava experimentar uma coisa nova... Contraditório, eu sei. Afinal, desde que saí de casa tudo é novo!
Pois bem, caí de para-quedas (de metrô) num lugar onde as pessoas são barulhentas, a cidade é grande, os motoboys dominam e meus vizinhos têm mais de 70 anos. BEM-VINDO A FACULDADE, BIXO!
Você deve estar pensando: "Nossa, ela mora do lado de um asilo e faz gerontologia" (seja lá o que for isso). Não, não moro e não, não faço. A questão é, desde que vim morar nesse apartamento, na nossa amada república Morada dos Duendes, só tenho cumprimentado pessoas no elevador com cabelos que parecem nuvens de algodão-doce, umas FOFURAS! E sim, meus vizinhos.
Estranho esse ar de faculdade, não? Pelo menos é bem diferente do que todos que habitaram um clima tenso de cursinho imaginam. Quero dizer, depois de você passar uma eternidade (uma semana no cursinho é uma eternidade) tendo aulas chatíssimas sobre algo que você nunca mais vai ver na vida (PRA QUE RAIOS EXISTE DERIVADA? POR QUE PINDAROLAS EU VOU QUERER SABER O VOLUME DE UM CONE, MEU DEUS?) você faz uma ideia um pouco mais agradável da faculdade, aquilo que te espera logo após tanto sacrifício... Na verdade, você faz a ideia da porta da esperança do Sílvio Santos se abrindo para um mundo de alegrias, sem física, matemática ou qualquer coisa relacionada a números, onde tudo é festa à la American Pie 5 e... o meu dia é atender velhinhos com dores nas costas e pés inchados.
Tá, eles são fofos. Mas não são exatamente o tipo de vizinhos que eu esperava ter... Moro num edifício com exatos 14 apartamentos e 13 deles são habitados por seres de grau máximo de fofura. Sabe que eu gostei? Eu imaginava que morar numa república haveria, consequentemente, mais repúblicas por perto (levando em consideração que chegar até a minha faculdade é necessário passar um, dois bares e chegou. É muito perto!).
Foi achando que o meu humilde apartamento ser a única república no vale da senescência um fato muito curioso, resolvi averiguar e descobri que no bairro onde moro "é proibido formação de repúblicas masculinas devido a vários casos de negligência (festa do fumo, incendiar o prédio, dançar rumba pelado, entre outros...)  registrados na região." Explicação muito plausível ao meu ver.
O fato é que eu moro na rua da faculdade com exatos dois bares que nos separa. Ao todo, são seis bares na rua que costumam ter mais alunos do que nas salas de aula da faculdade. Outro dia, perambulando pelos arredores, deparei-me com uma placa escrito "LIVRARIA". Eu, como boa TARADA que sou por livrarias (adoro comprar livros, mas quase nunca leio todos. Acho bonito deixar na estante e acharem que eu sou, pelo menos, pseudointelectual), resolvi entrar. Aparentava ser um local minúsculo, de pouco conteúdo pode-se assim dizer. Mas foi abrir a pequena porta de ferro e escutar aquele tilintar muito familiar (que mais parece o tio do picolé) do sino que anuncia a entrada de alguém para o meu queixo cair. Manja o guarda-roupa de Nárnia? Pois é. Ao adentrar no local, foi exatamente essa a sensação que eu tive. Um mundo paralelo estava ali, diante de mim, como se nada que tivesse ficado para trás da porta importasse. Um enorme salão, com pé direito alto, estantes colossais, decoração de...mofo. Mas tinha seu estilo, Bach tocava como se estivesse recebendo o rei Carlos XII e sua corte (mas era euzinha, apenas!) e lá eu fiquei, por um tempo considerável folheando o "1001 LIVROS PARA LER ANTES DE MORRER".
Enfim, para uma pessoa interiorana, como eu, até que me adaptei bem as buzinas e carros tirando racha embaixo da janela do meu quarto. A parte definitivamente ruim de estar fora da sua cidade é:

a) Família longe
b) Namorado mais longe ainda!!!
c) Namorado morando em Porto Alegre!!!
d) Amigos longe
e) E, com certeza, lavar a louça

Pois é, estranhos. Veremos quantos serão os dias de superação (ou não).
Da sorocabana que vos fala,
Bruna